Tantra evita a mente e encara a vida face a face
05/10/2021 16:18 em Inspire-se

A primeira coisa: não se trata de uma atitude, porque Tantra vê a vida com visão total. Não é uma atitude para ver a vida. Não possui conceitos, não é uma filosofia. Não é, sequer, uma religião, não tem teologia. Não acredita em palavras, em teorias, em doutrinas. Quer ver a vida sem filosofia, sem qualquer teoria, sem qualquer teologia. Quer ver a vida como ela é, sem colocar a mente de permeio, porque isso causaria distorção. A mente projeta, a mente mescla, e, então, já não podes distinguir aquilo que é.

Tantra evita a mente e encara a vida face a face, jamais pensando: “isto é bom”, ou “isto é mau”; porém, e simplesmente, encarando-a como ela é. Por isso é difícil dizer que Tantra é uma atitude - na verdade, é uma não-atitude. 

A segunda coisa a lembrar é que o Tantra é um grande repetidor do “sim”; diz “sim” a tudo. Nada há que se pareça com o “não” em seu vocabulário; nada que seja negação. Nunca diz “não” a coisa alguma, porque com o “não” se inicia a luta, com o “não” tu te tornas o ego. No momento em que dizes “não” a qualquer coisa, tornas-te já o ego. Um conflito surgiu e, agora, estás em guerra.

Tantra ama, e ama incondicionalmente. Nunca diz “não” a nada, seja o que for, porque tudo faz parte do todo e tudo tem seu lugar próprio no Todo; e o Todo só poderá existir quando nada lhe falte.

"Diz-se que mesmo que só uma gota d’água faltasse,

Toda a existência teria sede.

Colhes uma flor no jardim,

E colheste alguma coisa de toda a existência.

Maltratas uma flor,

E maltratastes milhões de estrelas -

Porque tudo é inter-relacionado."

O Todo existe como um todo, um todo orgânico. O Todo não existe como algo mecânico tudo está relacionado com tudo o mais. Dessa forma, Tantra diz “sim” incondicionalmente. Nunca houve qualquer outra visão da vida que dissesse “sim”, incondicionalmente - simplesmente “sim”, o “não” desaparecendo de teu próprio ser. Quando não existe o “não” como podes lutar? Como podes estar em guerra?

Flutuas, simplesmente. Simplesmente dissolve-te, desmanchas-te. Tornas-te um. Já não existem fronteiras. O “não” cria fronteiras. O “não” é a fronteira em torno de ti. Sempre que disseres “não”, observa: imediatamente algo se fecha. Sempre que dizes “sim”, teu ser se abre.

(Osho)

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