O que é o Tantra
11/03/2018 13:02 em Inspire-se

Antes de definir o Tantra, vou explicar o que ele não é, e quem sabe, quebrar crenças e paradigmas que você possa ter em relação ao mesmo. Muito que se ouve, fala e escreve sobre tantrismo são distorções da essência desta filosofia. Em geral, as abordagens são parciais, errôneas e delirantes, restritas somente ao aspecto sexual.

Tantra não é somente sexo, não é Kama-Sutra, nem um místico prometendo orgasmo cósmico ou uma suposta “casa de massagens” ou grupos de sexo grupal. Não é tara ou desvios sexuais. Talvez somente algo em torno de 5% de todos os textos e ensinamentos tântricos é de contexto sexual. Neste livro é abordado o maithuna – ato sexual tântrico, mas que fique bem claro: o Tantra não é somente sexo. O tantrismo não é seita ou religião, apesar de estreitar as relações entre o homem e os aspectos sutis do Universo. Não é magia, apesar de possuir rituais mágicos, e não possui nenhuma prática de sacramentos maléficos. Apesar de o mestre Osho citá-lo muito, este hindu iluminado, no final de sua visita nesse planeta, apontava muito mais na direção do zen do que do Tantra.

O Tantra não é voltado só ao prazer comum, orgástico. É, sim, encontrar o êxtase masculino e o êxtase feminino, conhecido como Ananda Mahasukha. É uma prática que não apresenta nenhuma contra-indicação apesar de alguns livros escritos por leigos afirmarem isso. Pelo contrário, Tantra visa muita saúde, bem-estar, alegria consciência e muito amor-próprio.

Tantrik ou Tantra é uma filosofia antigüíssima, originária da Índia e que busca o reconhecimento do Purusha (Consciência, Essência, Espírito) através de métodos práticos e técnicos, como posturas físicas (ásanas e Yoga), respirações, concentrações, cuidados com a alimentação, e um universo de técnicas que se utiliza da vida como um todo de forma prazerosa e libertária. É a união de Purusha com Prakriti (matéria).

Como filosofia de vida prática e não especulativa não há energia gasta no “por quê” e sim no “como”; um exemplo é em vez de se preocupar com o “por quê” do sofrimento, se busca o “como” ser feliz, daí o Tantra é conhecido como uma filosofia comportamental que o estimula a saber quem você é, como ser feliz, livre, energético e, dentro do possível, auto-suficiente. Encontramos várias linhas de Yoga e várias escolas filosóficas comporta-mentais de origem tântrica.

O praticante de Tantra é chamado de sádhaka (homem) e sádhika (mulher) ou tantrika (ambos), e buscam um modo de vida que oferece a transcendência, a iluminação (realização), pela alegria, arte e celebração. Que sacraliza tudo da existência: homens, animais, natureza, dança, música, alimentos, perfumes, ciclos naturais, coisas simples do cotidiano e também o sexo, que tem como base a vitalidade do prazer, da brincadeira e do compartilhar. O sexo que leva ao carinho, à amorosidade, ao amor universal expresso no companheiro(a); o sexo que leva à integração homem (Shiva) / mulher (Shakti), yin (energia feminina) / yang (energia masculina; corpo / mente, pênis (lingan) / vagina (yoni).

O Tantra aponta em direção a tudo que é natural no ser humano, o contato com a natureza, a descoberta do seu ser por meio do amor e do respeito ao próximo, a exaltação do companheiro em nível de deus/deusa tudo com a maior naturalidade e desprendimento, sem tabus ou regras retrógradas e anti-libertárias.

A palavra Tantra tem a sua magia, ela instiga a imaginação do leitor, porque permanece guardada num arquivo de memória de milênios, assim é um mantram (som metafísico, palavra de poder) a qual muitas pessoas, ao ouvir a sua pronúncia sentem vibrar seu inconsciente coletivo, despertando interesse por esse assunto.

Foi assim comigo. Grande parte da transmissão dos ensinamentos tântricos são feitos de forma de boca-ouvido (Vakrat Vak Tantraram).

O termo Tantra vem do sânscrito, é uma palavra do gênero masculino e significa “teia”, crescer, desenvolver (prefixo Tan), salvação, instrumento (sufixo Tra), origina-se dos termos tanoti (elevação, expansão) e trayati (consciência). É aquilo que expande a consciência. Gosto muito da definição do yogue belga André Van Lysebeth: Tantra é “um corpo de doutrinas e, principalmente, de práticas milenares ou instrumento de expansão do campo da consciência comum, para alcançar a supra consciente, raiz do ser e receptáculo de poderes desconhecidos, que o Tantra quer despertar e utilizar. Pode ainda designar doutrina mística e mágica, ou obra nela inspirada”.

Para o famoso místico e yoguim Harish Johari, “o Tantra é como um belo rosário com suas inúmeras contas. Um instrumento único, que permite a busca da expansão do físico, do mental e da vida espiritual do homem e da mulher”.

Finalizando, cito a auspiciosa definição que o Iluminado Osho nos dá do Tantra:

“O tantrismo é uma busca experimental que visa eliminar o sentido ilusório e conflitual de ser um ego. Separado, a fim de nos conduzir à consciência de nossa verdadeira realidade, que é eterna as nossas energias físicas, sexuais e mentais, ensinando-nos a ver o caráter sagrado de toda a vida.

O Tantra é ciência pura.
Você pode transformar a si mesmo, e essa transformação precisa de uma metodologia científica.
As centenas de técnicas tântricas constituem a ciência da transformação.

O Tantra diz que não se pode mudar um homem, a menos que se dê a ele técnicas autênticas para mudar.
Apenas pela pregação, nada é alterado.

Tantra é o grande ensinamento. Pequenos ensinamentos dizem a você o que fazer e o que não fazer.
Eles lhe dão os ‘10 Mandamentos’. Um grande ensinamento, não lhe dá mandamento.
Ele não cuida do que você faz. Ele cuida do que é, do seu centro, da sua consciência.

O Tantra diz para aceitar o que você é. Você é um grande mistério de energia multidimensional; aceite isso e mova-se com toda a energia, com profunda sensibilidade, atenção, amor e compreensão. Mova-se assim e então cada desejo torna-se uma ajuda para sua iluminação, então este próprio mundo é Nirvana, este próprio corpo é Templo – um Templo Sagrado”.

Depois dessas definições fica claro que o Tantra é vivenciado em todos os momentos da vida, por ter um caráter comportamental de teu ser em relação ao universo, mostrando que você é tão sagrado assim como qualquer outra criatura existente; seja Deus, homens ou borboletas.

Não é possível determinar a época exata em que a palavra Tantra começou a ser usada ou narrar a sua história com a mesma precisão com que se descreve a trajetória de outras culturas. Isso porque os caminhos e práticas tântricas são transmitidos oralmente, de mestre para discípulo, Gupta Vidya (conhecimentos Secretos), transmitidos pelo sistema de Paranpará que significa “um após o outro”. Além disso, sempre existiu uma tradição em se manter sigilo sobre alguns ensinamentos, passando-os somente a alguns discípulos realmente interessados, provavelmente, para que eles não caiam em mãos profanas que possam desvirtuá-los. É o que o Iluminado Jesus ensinava: “Não dê pérolas aos porcos”. Certamente o Tantra não é para qualquer pessoa.

Texto extraído do livro Maithuna – Sexo Tântrico  - Otávio Leal (Dhyan Prem)

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